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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Consumismo Infantil

Por Sonia Perazzolo
A INFÂNCIA  É UM TEMA BASTANTE DISCUTIDO  ATUALMENTE, MAS NEM SEMPRE FOI ASSIM.

Historicamente a infância como a vemos hoje é muito diferente de como ela era vista na época medieval,por exemplo.Naquele tempo, não existia infância como a concebemos , pois as crianças a partir de 7 anos eram consideradas mini-adultos e participavam de  todas as atividades junto com homens e mulheres,fosse trabalho, jogos ou passeios.

Até por volta do século XVII as crianças quando retratadas nas pinturas, apareciam com seus corpos pequenos,porém, os rostos eram mais parecidos com dos adultos e os membros bem musculosos.

Para se ter uma idéia, até o século XIX as crianças morriam em grande número e não se dava importância para isso, porque achavam que era natural.Era uma perda  que não se podia evitar.

Os primeiros sinais de que a infância era uma etapa diferenciada  começaram a aparecer durante o século XVII e de lá para cá, muitos estudos  vem trazendo  muitas transformações através das pesquisas e estudos .Se antes, cada criança que nascia era apenas mais um, neste século , XXI  as crianças passaram a ser o centro das atenções.Penso que passamos de  um extremo ao outro.Respeitar a criança, suas necessidades básicas, dar-lhe condições de vida com higiene e saúde preventiva, bem como atenção e carinho é para todos o óbvio.Mas um problema surge quando os pais  acabam fazendo para os filhos muito mais do que podem, emocional  e financeiramente.

É um tema complexo  , falar do consumismo infantil,uma vez que quem exige ou pede as coisas são as crianças  mas quem as fornece são os adultos, seus responsáveis.Uma das consequencias imediatas mais prejudiciais que vem ocorrendo no quadro do consumismo infantil é a questão da ingestão de alimentos com alto teor de açúcar e gorduras, provocando  obesidade.

O interessante é que a obesidade infantil vem ocorrendo  tanto nas classes altas como nas classes C e D da população.Os pais equivocadamente pensam que estão fazendo um bem pro seus filhos e que não podem frustrá-los de jeito algum.Crianças das classes A e B sofrem muito com isso,pois seus pais, nem sempre presentes acabam  tentando compensar  a ausência com esses objetos e alimentos para agradar seus filhos.

Por isso dissemos acima que este tema é bastante complexo e sabemos que o consumismo tem origens emocionais,sociais, financeiros e psicológicos.Neste sentido, a psicanálise nos aponta que há um bombardeio sobre nossas cabeças de coisas materiais baseadas na lógica do mercado, que vem nos dizendo a toda hora, que quanto mais objetos consumirmos mais seremos felizes. As crianças vivenciam isso, desde muito pequenas.Isto não quer dizer que não devemos possuir nada, mas as crianças vão aprendendo desde cedo,apenas  que tem mais é o melhor. Assim, vão querendo cada vez mais sem nem questionar se precisam daquilo ou não ou se aquilo que querem lhes faz bem.

A criança que come demais, exige demais, que só usa roupas “de marca”,que quer tudo o que vê , nunca será uma pessoa satisfeita. Assim, sem ter experimentado a falta, sem nunca ter experimentado alguma frustração,ela não terá espaço para  desejar algo mais profundo .
Os objetos de consumo rápido ou passageiro podem trazer prazeres momentâneos mas quando eles acabam, fica o vazio.Esse vazio se preenchido por outro objeto, vai virar uma estrada sem fim. O importante nesta fase da vida ,  é que todos trabalhem em conjunto, tanto os pais, como os professores, sociólogos, médicos , psicanalistas, psicólogos , na direção de orientar as crianças que é bom obter  coisas que gostamos, porém é melhor ainda trabalharmos em nós mesmos para sermos alguém. 

Só através da responsabilidade própria de nossos atos é que vamos nos construindo como ser humano.A infância , essa fase imensamente rica e que determinará o adulto de amanhã, tem que ser tratada com muito carinho. Carinho e amor  não é dar tudo o que a criança quer, mas ensiná-la  que  ela precisa ser uma pessoa  responsável pelos seus atos , pois estes  lhes trarão conseqüências   para toda a vida.